UMA EXPERIÊNCIA DE PAGAMENTO SEM ATRITO ATRAVÉS DOS OBJETOS CONECTADOS DE AMANHÃ. 

Em Setembro de 2013, a rede de pagamentos online Paypal que reúne 132 milhões de clientes, lançou nos Estados Unidos e seu próprio Beacon (uma rede de pequenos transmissores utilizando o Bluetooth a baixa energia). Esta nova possibilidade de comunicação é a promessa de um pagamento “mãos-livres”. É o fim dos cartões, dos códigos PIN, das filas de espera, o Paypal permite aos seus clientes pagar sem tirar a carteira nem mesmo abrir uma aplicação: basta confirmar verbalmente o pagamento.

Até agora, os players de pagamento foram sempre pioneiros e inovadores do ponto de vista tecnológico. Na era digital, o pagamento online, o pagamento mobile e o Bitcoin são tantas inovações que necessitam de ser adoptadas gradualmente. Em 2013, de acordo com o index Ayden, 19,5% das transações são efetuadas a partir de dispositivos móveis, ou seja, sofreu um aumento de 55% relativamente a 2012.

A grande tendência em curso de utilização dos wearables (óculos e relógios conectados), os players de pagamento como o Paypal, são os primeiros a lançar aplicações nos seus próprios aparelhos para proporcionar um pagamento com cada vez mais mobilidade.

A experiência de pagamento está longe de deixar de ser reformulada pelas novas formas de identificação biométricas. É certo que o dinheiro e os cartões de crédito ainda ficarão durante muito tempo, mas os wearables, associados ao reconhecimento de vez, ao scan da impressão digital como propõe o Biyo wallet, à leitura da retina ou do ADN, podem facilmente substituir uma nota ou um cartão de pagamento no longo prazo.

PARA ALÉM DO PAGAMENTO: OFERECER SERVIÇOS FINANCEIROS PERSONALIZADOS AOS SEUS CLIENTES GRAÇAS AOS DADOS TRANSACTIONAIS

Mais do que uma experiencia de pagamento sem atritos, os novos players do pagamento desejam competir diretamente com os bancos, oferecendo créditos personalizados online aos seus clientes (individuais e empresas). O segredo: captar dados transacionais diretamente na fonte.

Esta é a estratégia da Square, uma empresa de soluções de pagamento criada em 2009 pelo fundador do Twitter, Jack Dorsey. A sua história começa por um leitor de cartão de crédito de simples utilização que convenceu mais de 40.000 comerciantes nos Estados Unidos em 3 anos. De facto, a promessa era bastante forte: transformar um Smartphone em terminal de pagamento.

Mas desde o início, a Square estava a ver mais além. Gokul Rajaram, um ex-Google e ex-Facebook que dirige atualmente a equipa de engenheiros de produtos da empresa, resume a estratégia da seguinte forma: “considero a Square como um A-B-C, A para os Analistas de dados, B para o Business operacional – como ajudar os vendedores a gerirem as suas lojas de forma mais eficaz com os dados que lhes fornecemos – C para Clientes – como ajudar os vendedores a gerirem uma relação com os seus clientes?”.

É nesta lógica que a Square lança o Square Capital, um banco especializado em empréstimos às PME. Graças ao pormenor, ao volume, à diversidade e à frequência dos dados recolhidos sobre as transações efetuadas no retalho, a square está melhor posicionada do que os bancos para conhecer as necessidades dos seus clientes e propor-lhes empréstimos mais adequados. “Cada transação responde às seguintes questões: o que é que foi comprado, onde, quando e por quam?” diz Gokul Rajaram. É aqui que reside a força da Square em relação aos bancos tradicionais que não conhecem em detalhe o que foi comprado numa determinada loja.

OS GIGANTES DO DIGITAL, OS GAFA, NA BATALHA DO FUTURO DOS PAGAMENTOS

É fácil de constatar que a estratégia dos players na área dos pagamentos é mais ambiciosa do que aquilo que parece: criar uma experiência de pagamentos sem atritos de forma a ser adoptada por todos e recolher o máximo de dados transacionais para, de seguida, expandir os seus serviços financeiros. Nesse sentido, a entrada da Amazon (Amazon payments), da Apple (ibeacons), do Facebook (Login and pay via profile) e do Google (Google wallet) no mercado dos pagamentos não são insignificantes.

Estes gigantes conseguem estar sempre à frente, como é o exemplo do Alibaba, na China: Primeiro um gigante do e-commerce, depois lança-se nos pagamentos online com o Alipay e acaba por tornar-se o 3º player global en Asset management adquirindo a Tianhong Asset Management

Written by Nuno Ribeiro

Country Manager da agência de inovação FABERNOVEL. Autor do livro Gerir na Era Digital (2011). Licenciado em Economia pela Universidade Católica de Lisboa, onde também concluiu um curso avançado de Gestão de Empresas Tecnológicas e uma pós-graduação em Gestão de Media e Entretenimento. Diretor a unidade Negócio Multimédia do grupo Controlinveste (2008 a 2012). Diretor da unidade de negócios de Internet do grupo Cofina Media (1999 a 2008). Consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital (1997 a 2002).

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